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Sobre o projeto

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Conceito artístico

Arquitetura do Cuidado é uma instalação digital interativa que cartografa histórias reais de mulheres nas onze províncias de Moçambique, revelando a estrutura invisível da dupla jornada. O projeto parte da tensão entre o empoderamento económico feminino — frequentemente celebrado como emancipação — e a persistência de uma organização social que mantém o trabalho doméstico e de cuidado como responsabilidade exclusiva das mulheres.

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Contexto

Em Moçambique, o acesso das mulheres ao trabalho remunerado é frequentemente apresentado como sinal de progresso. No entanto, a divisão desigual do trabalho doméstico e de cuidado permanece profundamente enraizada: mesmo quando trabalham fora de casa, muitas mulheres continuam responsáveis pela gestão integral do lar. Esta condição — a dupla jornada — é naturalizada e romantizada, entendida como parte da identidade feminina e não como uma questão estrutural.

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Intenção

A liberdade feminina não pode ser medida apenas pelo acesso ao trabalho, mas pela forma como o cuidado é reconhecido, distribuído e valorizado na sociedade.

Énia Lipanga sorrindo, sentada num banco, com um vestido de capulana amarelo
Énia Lipanga

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Sobre Énia Lipanga

Énia Lipanga é escritora, performer, jornalista, pesquisadora e activista social moçambicana. Há mais de 20 anos, escreve. Há 15, leva a palavra ao palco. Entre a literatura, a performance, o jornalismo e a intervenção social, construiu uma trajectória dedicada a interrogar o mundo a partir das experiências das mulheres.

Feminista, escreve sobre corpos, desejos, silêncios, violências, memórias e liberdades. A sua escrita procura nomear aquilo que tantas vezes é mandado calar e criar espaço para que as mulheres possam existir para além dos lugares que lhes foram impostos.

A sua prática artística cruza poesia, performance, música e língua de sinais, fazendo da arte uma ferramenta de diálogo, questionamento e transformação social. O seu trabalho atravessa género, direitos das mulheres, violência baseada no género, inclusão, identidade e justiça social.

É autora de seis livros e tem participado em eventos literários, artísticos, académicos e de intervenção social em Moçambique e internacionalmente. Em 2026, foi semifinalista do Prémio Oceanos com Sob a Capulana do Destino e Outros Escritos.

Foi distinguida com a Medalha de Direitos Humanos do Governo do Brasil, o Prémio de Melhor Artevista da Plan International e AMODEFA e integrou a lista das 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia.

Énia escreve para mulheres que desobedecem para existir.

Arquitetura do CuidadoAfinal, quando vão descansar as mulheres?

Architecture of CareWhen, then, will women rest?